sábado, 25 de setembro de 2010

Chave.

Hoje não escrevi nada, perdi-me por entre palavras desejadas, movimentos quebrados e a solidão que me assombra.
Deixei que o mundo me levasse para la dos meus impulsos e parei de correr riscos, libertei a aflição e trouxe comigo algum conforto dessa jornada e percebi que tudo e´ verdade, só queremos algo quando nada já parece existir.
Coloquei o espelho de frente para mim, o que via já não era o meu reflexo, era outro alguém, diferente, pior. Era um ser censurado por tudo, transformado em paraplégico e mudo em relação `a vida que levava. Então por momentos esse ser vestiu uma capa do seu passado e recebeu um outro olhar, uma outra atenção.
E por um rasgar vi um pouco de força para manter a luta e dou um pouco menos mas mantenho-me la.
Repito só mais uns momentos, apenas mais uns.
Eu tenho a chave para trancar a porta. Mas porta trancada não se volta a abrir...

quinta-feira, 23 de setembro de 2010

Vácuo.

Soa uma, duas, três notas, mas nada ouves , como se que o único acorde que te toco seja o silencio, será que habitas no vácuo e as ondas não chegam até ti ?
E repito-me na esperança de ultrapassar esta monotonia para que me leva cada conversa, a verdade é que são tudo montanhas, cheias de picos, gelo para derrapar e dar de "boca no chão".
Onde esta a prancha que me vai manter de pé?
E de que me serve estas derrapagens constantes, não é disto que ambos precisamos.
Só existe o ecoar das lembranças, porque o que quero ouvir , tu já não repetes, o que quero sentir morreu , o toque morreu !
Até onde vai? Qual é o limite?
Hoje o céu está coberto de chuva, por entre nuvens esquecidas...

Acordar.

Por mais que não queira, o rufar dos tambores, o soar da trompete, os constantes baldes de agua fria não me deixam sonhar, ainda que por breves momentos adormeça sofro um acordar doloroso por não te ter do meu lado para me aconchegar, porque o suor da noite anterior faz arrefecer os lençóis e me deixa com frio.
Já não há nada a prender-me `a cama mas eu não quero acordar, quero manter-me no conforto dos olhos fechados "olhos que não vêem coração que não sente".
Vou ficar por aqui , mais um pouco e todos os dias so mais um pouco , e todos os dias um pouco menos.
Talvez tenha de ser assim, tudo seja mais fácil assim, a incerteza já não me incomoda ,mas leva-me para longe de ti(mim).
E´ muito menos agora , um dia foi tudo demasiado.
Acabou-se o sono , já nada me faz sonhar.

quarta-feira, 22 de setembro de 2010

Bússola.

É como que se a neblina assombrasse os olhos e desfocasse tudo , tudo a que se propõe o sol.
Às vezes gostava de poder perder-me , sem que ninguém reparasse e preocupasse em lembrar-me da direcção certa.
Se adormecer me faz sonhar , porque não acordo e vejo tudo sem rodeios , existe sempre algo a bloquear-me na dúvida de uma perda .
Chega da insuficiência, de consciência .
Não quero saber, os olhos estão demasiado cansados de visões turvas ,de balançar por obstáculos que nem barreiras são.
As gotas já não enchem o copo da vida.
A tinta não se dilui, para investir num mapa.
Perspicácia demasiada para o que quero descobri.
São peças por construir , vontades por satisfazer e imagens por focar.

Silêncio.

Dizem que o som se produz através de vibrações, talvez seja por isso que me perco por entre paragens constantes, porque tudo pára sem que eu tenha oportunidade de sentir vibrar, mesmo quando eu chamo pelo mundo , ninguém responde ao apelo , quando procuro por uma estrada ninguém sabe o caminho.
Um dia disse que não ia ecoar o silêncio, mas agora tudo parece mudo, tudo está calado,já não oiço a melodia de um sonho , as cordas apenas tocam o que imploro por não ouvir.
Encontro algo , onde nada existe , encontro tudo , onde algo já existiu.
Ando perdida à deriva, sem rumo.
Cansam as lágrimas que substituem os sorrisos esquecidos.
Não há voz, nada passa de acordes de silêncio.